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quarta-feira, 30 de março de 2011

CARNAVAL DO RIO EM SAN LUIS LEVOU DOIS MIL SAMBISTAS CARIOCAS PARA DESFILES EM PROVÍNCIA ARGENTINA

Os dois mil sambistas cariocas deixaram o Rio de  em 50 ônibus na segunda, dia 21 de março, para viajar 5.500 km rumo a San Luis. A cidade está distante cerca de 800 km de Buenos Aires e situa-se na região Centro-Oeste do país. A viagem durou cerca de 60 horas, com os cariocas chegando na província na quinta, 24.  As duas 'escolas de samba' foram montadas a partir da junção de alas das 12 agremiações do Grupo Especial e oito do Acesso A. As comissões de frente foram criadas pelo coreógrafo Carlinhos Passista, do Salgueiro, e Jerônimo, da Portela. As alas de baianas eram da Imperatriz Lepoldinense e da Acadêmicos de Santa Cruz. Outras dez baianas da Mocidade, comandadas por Tia Nilda, também evoluiram na 'avenida'. Os casais de mestre-sala e porta-bandeira também vieram da Imperatriz e da Santa Cruz. O desfile contou ainda com vinte e quatro destaques de luxo.

As baterias foram comandadas por Mestre Átila, da Vila Isabel, e Mestre Marcone, da Imperatriz. Em cada noite de desfile, Viviane Araújo e Quitéria Chagas reinaram, alternadamente, à frente dos ritmistas, como rainhas de bateria, levando ao delírio os 30 mil espectadores do "sambódromo" local - na verdade, um trecho de um quilômetro do autódromo da província, onde foram construídas arquibancadas e frisas, e projetados luz e som especialmente para a festa.

"Foi a primeira vez que sambei no frio, o que me exigiu um preparo especial. O que mais gostei foi voltar a ser rainha, mesmo que por dois dias e na Argentina", comentou Quitéria, que este ano desfilou como musa da Vila Isabel e foi rainha do Império Serrano por cinco carnavais. "Os argentinos são muito carinhosos e entusiasmados com nosso Carnaval. Tem sido uma grande honra representar o Carnaval do Rio e do Brasil aqui em San Luis", declarou Viviane, que participou pela segunda vez do espetáculo em San Luis.
Espetáculo realizado no último final de semana já entrou para o calendário oficial da região
Os argentinos se encantaram com o ritmo do samba, a evolução dos foliões, o suingue das passistas e a beleza das fantasias e alegorias durante o 'Carnaval do Rio em San Luis', realizado na sexta e sábado últimos (25 e 26 de março) na província de San Luis, a 800 km de Buenos Aires, na Argentina. Este foi o segundo ano do evento. Em 2010, embaracaram para a Argentina mil cariocas. Já este este, o espetáculo dobrou de tamanho, e contou com dois mil desfilantes do Rio , recrutados entre todas as escolas do Grupo Especial e oito do Grupo de Acesso A , além de quinhentos foliões da província de San Luis. 

As escolas apresentaram enredos sobre o meio ambiente, desenvolvido pelo carnavalesco Milton Cunha, e sobre o progresso tecnológico, a cargo do carnavalesco Jorge Caribé. O projeto não se restringe ao desfile e inclui uma importante ação social na província. Artesãos cariocas da Amebras (Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil) - instituição de capacitação profissional em ofícios carnavalescos, que funciona na Cidade do Samba - coordenaram oficinas de adereço, chapelaria e figurinos, em que cidadãos carentes de San Luis trabalharam na confecção de 500 fantasias e dois carros alegóricos. "O Carnaval não é apenas uma manifestação cultural. Ele proporciona uma grande inclusão social, gerando oportunidades de trabalho e cidadania para milhares de pessoas carentes das comunidades de origem das escolas. Esta filosofia, que já aplicamos aqui no Brasil, estamos levando para San Luis", afirma Célia Domingues, presidente da Amebras e coordenadora técnica geral do evento.

A direção de carnaval dos desfiles na Argentina, assim como a organização logística e recrutamento das alas e componentes junto às agremiações foram realizadas pela AMI7, empresa formada por Álvaro Luis Caetano, Elmo José dos Santos, Edson Marcos, Amauri Wanzeler, Moacyr Barreto, Elias Riche e Alcione Barreto. Os sambas cantados nos desfiles foram adaptações de duas grandes obras da União da Ilha, 'É hoje' (1982) e 'Festa Profana' (1989), feitas por Álvaro José Caetano, o Alvinho, ex-presidente da Mangueira. Os sambas foram 'ensinados' aos componentes durante a própria viagem, a partir da distribuição de CDs individuais e treinos de canto. Na véspera do desfile, na quinta, dia 24, os desfilantes participaram de um ensaio técnico, a exemplo do que acontece no Sambódromo carioca.

O evento é o maior carnaval rpoduzido por brasileiros fora do Brasil e já entrou para o calendário oficial da província, que, em 2012, realizará sua terceira edição. A produtora oficial do 'Carnaval do Rio em San Luis' é a Gangazumba Produções Artísticas, do ator Antonio Pitanga. A deputada federal Benedita da Silva, junto com Pitanga, foi quem idealizou o evento, a partir de um encontro com o Governador da província, Alberto Rodríguez Sáa. "Eu acho o Carnaval do Brasil fascinante e quis trazer este espetáculo para San Luis. Vejo no Carnaval um grande caminho para inclusão social e são estes dois aspectos, o cultural e o social, que estão unindo nossos dois povos", afirmou o Governador.

" Nosso primeiro objetivo foi a internacionalização de nossa cultura e levar as oportunidades que a indústria do Carnaval proporciona, o que é uma grande responsabilidade do Brasil no Mercosul. Devemos destacar que o evento é importante para o turismo, economia, qualificação profissional e difusão de nossa arte, sempre dentro da filosofia de discutir este trabalho com uma visão social", afirmou a deputada federal Benedita da Silva. "Não trouxemos a San Luis um pacote pronto, mas estamos aqui realizando uma troca cultural. E não se trata de um carnaval para turista ver nem de mulatas de biquíni, estigmas muitas vezes existentes em relação ao nosso espetáculo, mas de um projeto de transformação social e intergração a partir do carnaval brasileiro", avaliou Antônio Pitanga, da Gangazumba.

Sambistas viajaram 5.500 km entre Brasil e Argentina