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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sinopse Santa Cruz

Redação Oabrealas


Nas ondas do radio...
“Acorda Brasil Para Escutar! O Show do Antônio Carlos Esta No Ar.”

Nas ondas do Radio

Tudo começou com Michael Faraday, grande sábio inglês que descobriu em 1831 a indução magnética, assim como a grande contribuição dada por James C. Maxwell que descobriu matematicamente a existência das ondas eletromagnéticas diferente somente em tamanho, das ondas de luz, mas com a mesma velocidade (300.000 Km/s). Outro personagem que marcou a história das comunicações foi Thomas A. Edison quando em 1880 descobriu que colocando em uma ampulheta de cristal um filamento e uma placa de metal separada entre si e ligando-se o filamento ao negativo e uma bateria e a placa ao positivo, constatava-se a passagem de uma corrente elétrica da placa para o filamento e nunca em sentido contrário. Grande contribuição também foi dada pelo professor alemão Henrich Rudolph Hertz que comprovou na prática em 1890 a existência das ondas eletromagnéticas, chamadas hoje de “Ondas de Rádio”. Suas experiências basearam-se na teoria de Maxwell, Hertz descobriu que ao fazer saltar uma chispa em seu aparelho oscilador, saltavam também chispas entre as pontas de um arco de metal colocado a certa distância denominado ressonador.
Hertz demonstrou com essa experiência que as ondas eletromagnéticas têm a mesma velocidade que as ondas de luz. Em sua homenagem, as ondas de rádio passam a ser chamadas de “Ondas Hertzianas”, usando-se também o “Hertz” como unidade de freqüência.
Mais tarde em 1893 o padre, cientista e engenheiro gaúcho Roberto Landell de Moura testa a primeira transmissão de fala por ondas eletromagnéticas, sem fio. Graças a ele, a Marinha Brasileira realizou, em 1 de março de 1905, diversos testes de mensagens telegráficas no encouraçado Aquidaban. Todavia, o primeiro mundo reconhece o cientista Guglielmo Marconi como o “descobridor do rádio”. Marconi, natural de Bolonha, Itália, realizou em 1895 testes de transmissão de sinais sem fio pela distância de 400 metros e depois pela distância de 2 quilômetros. Ele também descobriu o princípio do funcionamento da antena. Em 1896 Marconi adquiriu a patente da invenção do rádio, enquanto Landell só conseguiria obter para si a patente no ano de 1900.
O Radio chega ao Brasil, A Era de Ouro do Radio

Algum tempo após, em 1919 a cidade de Recife vem fazer a primeira transmissão radiofônica no país. Porém, a primeira emissora instalada, foi no Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1922, com o discurso do então presidente da República Epitácio Pessoa, em comemoração ao centenário da Independência do Brasil, para isso, foram importados 80 receptores de rádio  e um pequeno transmissor  foi instalado no alto do corcovado especialmente para o evento.

Em 1923, foi fundada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro por Roquete Pinto e Henry Morize, dando a ela um cunho educativo. Porém destinado às elites devido a seus altos custos. Ainda na década de 20, o rádio foi se espalhando pelo território brasileiro, mas vivia de mensalidades pagas pelos ouvintes.
Durante a década de 30, o Radio passa de erudito a popular, e ganha um maior alcance de publico, neste período também deixa de existir por mensalidades, e insere a propaganda em sua programação.
Graças aos avanços tecnológicos na área, o radio vive seu momento áureo. Surge o programa A Voz do Brasil, e a radio Globo, que passa a ser a mais popular AM do país.
As radio novelas, os programas de auditório, os noticiários, ganham mais destaque, enfim a programação do radio prende a família ao lado dos aparelhos sonoros, dando asas à imaginação. “Em busca da Felicidade” a pioneira das radio novela, assim como todas as outras que vêm a seguir, fazem a mocinha sonhar com seu príncipe na voz do galã, surgem os grandes nomes da musica; Os locutores dão vida a sonhos e ganham popularidade nas famílias brasileiras.  O romantismo esta no ar.

Caindo de Pára-quedas no Radio

Neste período conhecido como a época de ouro do Radio, a cultura radiofônica fervilha, na década de 50 tem sua popularidade contestada com o advento da televisão que surge no cenário Brasileiro, porem neste período a TV tem um custo altíssimo e poucas famílias tinham acesso. É neste cenário transitório do radio que cai de pára-quedas, Antônio Carlos, com sua voz potente e inconfundível, marcando sua ascendente trajetória no radio; Geminiano apaixonado por seu trabalho e cercado por todo o dinamismo do radio, vivendo em meio a mesas de áudio, microfones, todo um mundo de equipamento que o conecta com seu ouvinte. Popular, contestador de personalidade forte, Antonio Carlos acompanha a evolução do radio, e forma sua identidade profissional.

Líder de Audiência no Brasil

Muda-se para a rádio Globo onde cria O Show do Antonio Carlos o programa de maior audiência no Brasil com abrangência nacional, interage com outras regiões do país, da à benção ao filho distante, tornasse a voz da dona de casa, do trabalhador que se desloca nos transportes de massa, e se identifica com os personagens de seu programa, hoje através de rádios portáteis, aparelhos celulares, tanto nos antigos rádios como nos modernos computadores, o ouvinte se identifica com o misticismo e espera o zodíaco de Zora Yonara, as simpatias da Pudica, as noticias do esporte com Edson Mauro  e  Maérsio Ramos, as fofocas da Juju, a interferência da sonoplastia de Toninho Malvadeza, O microfone invisível de Gelson Cunha, O mão santa chicote do programa, As noticias do  RJ e os repórteres de rua que dão voz ao povo, O repórter aéreo Genilson Araujo, A previsão do tempo no RJ com Hermelinda Rita, A piada da hora, a Participação das ouvintes com a receita do dia e a produção executiva de Karla de Lucas. Estes são os personagens que todos os dias dão vida ao programa Show do Antonio Carlos.
O sol nasce acompanhado da inconfundível voz que torna o alvorecer mais dinâmico, feliz e irreverente, o programa com cheiro de café fresco, tem a energia, a fé e a informação necessária para ser líder absoluto de audiência e ganhar o titulo de “O Despertador do Brasil”.


O Show do Antonio Carlos Esta no Ar, Direto da Sapucaí

Em 2012, para Comemorar os 90 anos de Radio no Brasil A escola de samba, Acadêmicos de Santa Cruz leva para a Avenida Marques de Sapucaí, um enredo que homenageia uma das mais expressivas vozes do Radio Brasileiro, o comunicador das massas, que com seu programa matinal atinge ouvintes em todo o território nacional. Se tornando assim o despertador do Brasil. E pela primeira vez na história, da marques de Sapucaí, será transmitido O Show do Antonio Carlos, ao vivo e em tempo real, que completando trinta e cinco anos ininterruptos no ar, é líder absoluto de audiência. E este será nosso presente a quem a cada dia nos empresta sua voz. Encerraremos nossa homenagem trazendo o povo de volta a Marques de Sapucaí, com um grande arrastão de foliões, que como o bloco Show do Antonio Carlos, que sai no sábado de carnaval da Glória em direção a Cinelândia, onde encontra o tradicional Cordão do Bola Preta, nos contagiando com a alegria dos carnavais de rua. Desta forma encerraremos nosso desfile deixando no ar um gosto de saudade, de antigos carnavais, com esta grande apoteose popular, para homenagear um homem do povo. Que nos fala através das ondas do radio...
ACORDA BRASIL PARA ESCUTAR! O SHOW DO ANTONIO CARLOS ESTA NO AR.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sinopse Arrastão de Cascadura

G.R.E.S. ARRASTÃO DE CASCADURA
SINOPSE DO ENREDO
CARNAVAL 2012
“Patrícia Amorim: a Majestade Rubro-negra”!

É dada a largada!

Um brilho mágico e exuberante reflete das límpidas águas... O homem percebe que é capaz de flutuar e de se deslocar sobre elas. Mesmo que inicialmente imitando os animais, adquire habilidade de nadar ultrapassando todas as dificuldades impostas pela natureza. Impulsionado pelos povos antigos, que acreditavam que saber nadar era uma conquista à sobrevivência, o G.R.E.S. Arrastão de Cascadura acende a chama da vitória e homenageia uma exímia nadadora... O enredo de seu samba canta a alegria das paixões e glórias que não têm fim, os sonhos de uma mulher de vigor saltando de um trampolim, a vida e a trajetória de Patrícia Amorim.

Encanta com o seu saber
Vai além da linha, alada espádua,
E descreve a curva desse “pássaro da água”!
Patrícia quebra tabus e vence barreiras,
É carioca da gema
Exemplo de mulher brasileira.

O nado é seu fascínio,
A conquista ao pódio, um desafio.
Desprende-se ao vento fiel à queda, rápida e branda.
Da qual, fluído, emana seu conhecimento.
Na eternidade das águas, vence
Com a sabedoria dos seus movimentos.

Numa carreira brilhante, cruza os limites do tempo: vai aos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, às Olimpíadas de Seul, afaga o pranto e nada, fazendo das águas o seu manto. Extrai seu combustível da força atlética, que expulsa qualquer “quebranto”, ao destino de chegar do outro lado e comemorar mais uma vitória, como a leveza de um lindo canto... Conquistas, paixões, recordes, títulos, é Amorim, por assim dizer: a luz de seus encantos, é o “domínio das águas” que desfila em verde e branco.

Patrícia é a lira, trilha os caminhos rubro-negros à realização de um sonho infanto-juvenil. Formada em Educação Física, entre atletas, treinadores, dirigentes, jogadores e funcionários, ensina, dirige, supervisiona, dedica-se ao Clube Regatas do Flamengo de forma assertiva e ágil. É responsável por um trabalho de gestão à união esportiva, que culmina no bicampeonato brasileiro de basquete – levando a modalidade ao reconhecimento no cenário nacional.
Tudo acontece ao mesmo tempo. Seus intentos voam alto, realizam-se e provam da tenacidade de seus firmes procedimentos. É eleita pela vontade do povo: a vereadora dos esportes – legítima representante na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Primando pela ética parlamentar, pela educação esportiva e lazer de cada cidadão, fundamenta seu orgulho à política de transformar o país num “Brasil de Todos”!

Bate forte o coração. É vermelha e preta a sua maior emoção... “Uma vez Flamengo sempre Flamengo”. Essa é a jura de milhões de torcedores ao centenário Clube mais querido do Brasil. Patrícia mais uma vez sai à frente do seu tempo, é pioneira.
Sua histórica candidatura é como um poema, como a força de um rio que corre pro mar... Brilha!

Devo-lhes confessar
É como um céu repleto de luzes
Para o meu indicador as direções apontar
É a alegria de ter companhia para legitimar
É a magia de águas correndo nas pedras para algum lugar
É meu bem-querer
É saber que juntos podemos transformar
E a consciência na hora de dizer que sim
É ser presidente do Flamengo como no dito popular
É irmos juntos até o fim
É entrar pra História Rubro-negra
Com uma fina dedicatória
“Escrevam pra mim”
Vocês me conhecem
Eu sou Patrícia Amorim.

Marcos Roza, pesquisador de enredos.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Porto da Pedra divulga sinopse do enredo para o carnaval 2012‏

Redação Oabrealas

Abertura: OS MAMIFEROS.

  Como inspiração; tomamos o cuidado materno como fonte de vida e desenvolvimento. Do período Neolítico aos dias atuais a evolução dos mamíferos e a importância do leite para a preservação das espécies dando todas as condições nutricionais aos novos rebentos para um crescimento saudável e pleno.


Setor 1: O LEITE A “FORÇA DA VIDA”.

  Recheados de simbolismos pontuarão a presença do leite como agregador de força, Fé e Esperança em varias civilizações. Exemplificaremos ao mencionar algumas como; A Loba de Rômulo e Remo na fundação de Roma. Nas palavras de Moises ao descrever a nova Israel dos Judeus onde menciona rios de leite e mel.
  Na mitologia greco-romana, o leite é fator de união entre o divino e o humano, entre o mortal e o eterno e, além disso, o gerador de vida no céu e na Terra. Conta-se que Zeus, em um de seus envolvimentos com mortais, no caso Alcmene, gerou Hércules – herói famoso principalmente por sua força. Tendo se afeiçoado a seu filho, quis que ele fosse imortal. Para isso, levou-o sorrateiramente para ser amamentado por sua esposa, Hera, enquanto ela dormia. O pequeno Hércules sugou o seio com tamanho ímpeto que este continuou jorrando, mesmo depois do fim da amamentação. Do leite derramado no céu, surgiu a Via Láctea e, daquele vertido sobre a terra, surgiu a flor-de-lis.
  Na mitologia hindu, existem muitas histórias ligadas ao leite. Entre elas conta-se que Manu, o pai de todos os homens, ganhou devido à sua inteligência o respeito do deus Vischnu e, por isso, foi salvo do dilúvio universal. Em retribuição, Manu ofereceu um bolo de leite coalhado, manteiga e creme de leite. Do bolo, nasceu Ida, mulher de extraordinária beleza que despertou a atenção de Manu. Esta, para evitar o assédio que se aproximava, transformou-se em uma vaca. Manu, percebendo a manobra, transmutou-se em touro e a possuiu. Em seguida, em uma versão hindu da arca de Noé, iniciou-se uma perseguição com diversas transmutações para outros animais, sempre fêmeas e machos que, repovoaram a Terra após o grande dilúvio.
  Dos Egípcios vêm a Deusa Thueris representada por uma fêmea de hipopótamo que através dos seus mamilos nutria de força seus seguidores. Para o povo da Mesopotâmia Ninharsa era uma divindade dedicada ao leite, seu poder concedia uma bênção especial aos seus seguidores.
 Para os Nórdicos uma vaca era venerada sob o nome de Audumla, cujo leite alimentou o gigante Imir pai de todos os deuses Escandinavos. Coincidentemente na China temos também uma vaca sagrada chamada Zing-Po que alimenta os signos do Zodíaco estelar, o que mostra a importância do leite como alimento tido como sagrado tanto no Ocidente como para os Orientais.


Setor 2: A ORIGEM DOS DERIVADOS.

Abrindo cronologicamente a História buscaremos as origens dos derivados do leite através das varias regiões do planeta e mostrando o inicio e a consolidação destes produtos na gastronomia mundial. Líquidos lácteos fermentados, batidos e naturais, queijos com as suas propriedades de textura e sabor, manteigas e cremes, todos muito apreciados em suas culturas. A maioria das pesquisas históricas atribui a criação do iogurte aos povos do período Neolítico da Ásia Central por volta de 6000 AC.
Diversas histórias mencionam a origem do queijo, mas a versão mais aceita pelos historiadores é a do mercador árabe que, cansado e faminto após atravessar um deserto asiático, tentou beber o leite de cabra que levava em seu cantil feito de estômago seco de carneiro. Mas o que saiu do cantil foi apenas um líquido aguado e fino. Curioso com o fato abriu o cantil e encontrou uma massa branca que hoje sabemos que é a coagulação do  leite causado pelo coalho existente no estômago do carneiro. O viajante faminto experimentou e, claro,gostou.
Os egípcios tiveram no leite e no queijo um importante alimento muito difundido, podendo ser encontrado, inclusive, nas tumbas de seus reis.
Na Europa, eles foram introduzidos pelos gregos e os romanos tiveram papel fundamental na distribuição desta iguaria, que servia para alimentar seus atletas e soldados. Ainda na Europa, com as ordens religiosas, os queijos ganharam em qualidade e padrões específicos.
 A coalhada produzida mundialmente, com os diferentes tipos de leite de mamíferos domesticados, principalmente de cabra, ovelha, búfala e vaca, ainda conserva as mais diversas tradições culinárias na sua elaboração, difundidas através de migrações continentais e intercontinentais das populações, desde milênios passados ate os atuais dias. Sua origem se confunde com a do queijo que se dá junto à pré-história, sendo estimada desde aproximadamente 8.000 anos a.C, quando as ovelhas foram, pela primeira vez, domesticadas, até por volta de 3.000 anos a.C. Então, através da combinação leite, calor e bactérias, chegou-se à coalhada, tendo provavelmente sido originada a partir dessa combinação “acidental”, onde na Ásia Central, as tribos nômades tinham o costume de carregar leite em suas viagens.
Em suma estes três produtos, coalhada, queijo e iogurte em combinação culinária, geram uma incontável quantidade de iguarias como pães, bolos, molhos entre outros alicerçando culturas e costumes.


Setor 3: A EXPANSÃO DE UM PRODUTO.

Do surgimento nos Bálcãs, a disseminação por volta do terceiro milênio antes de cristo para o Egito, Assíria, Oriente, Pérsia, Índia e Mediterrâneo se dá através de guerras, comercio ou expansão cultural e migratória.
É geralmente aceito entre os historiadores que o iogurte e outros produtos fermentados lácteos foram descobertos acidentalmente como resultado de leite sendo armazenados por métodos primitivos em climas quentes. Os descendentes dos povos que originam os turcos, búlgaros, sírios, gregos, romenos e árabes, desde épocas remotas já conheciam a preparação de alimentos fermentados, tais como iogurtes e coalhadas, reconhecendo a boa digestibilidade e aroma desses alimentos.
 Pastores começaram a prática da ordenha seus animais, e as enzimas naturais nos recipientes de transporte (estômagos de animais) o leite coalhado, essencialmente, faz o iogurte. Ao contrario do leite a conservação do iogurte dura por mais tempo, pensa-se que na prática as pessoas preferiam o gosto mais suave deste diferentemente da coalhada e consumido de modo continuado evoluí ao longo dos séculos ainda antes de Cristo.


Setor 4: UMA BEBIDA LÁCTEA.

A evolução do “Iogurte” e suas variações nas antigas civilizações, seu uso como alimento doce ou salgado, temperado ou acompanhante de pratos típicos e sua aplicação também na medicina.
Depois das conquistas Alexandrinas e do Império Romano a combinação de culturas forja uma derivação do “Modus Vivendi” de varias sociedades dando assim prosseguimento à evolução e o aprimoramento da gastronomia com essa miscigenação. Por fim está gravado na história que Genghis Khan, o fundador do Império Mongol, e seus exércitos viviam se alimentando de iogurte e com o expansionismo deste Império mais uma leva de mudanças ocorre em grande parte do mundo civilizado entre os séculos XII e XIII estendendo-se das Muralhas da China até o Mediterrâneo passando por toda a Ásia até a Hungria.



Setor 5: EPOPÉIA EUROPÉIA.

Com as conquistas Otomanas as praticas alimentares destes se expandem pela Europa. A assimilação de hábitos e costumes soma ao cotidiano europeu, novas possibilidades de subsistência. Novamente a historia se repete porem agora com novos atores. Desde a queda de Constantinopla que dá fim ao Império Romano a cultura muçulmana ganha espaço desde o Mar Mediterrâneo ate as penínsulas Itálica e Hispânica varrendo a Europa Ocidental inteira, mais com ares de aglutinamento cultural em contraponto da conquista armada.
Paradoxalmente a igreja Cristã reprimida também ajuda na disseminação dos conhecimentos eclesiásticos e filantrópicos, claro, com os seus interesses, se manteve viva na missão de proteger os pobres e oprimidos da barbárie do período feudal e dos invasores. Mecanicamente usam as técnicas de subsistência a seu favor, assim conquistando mesmo que de forma velada, mais cabeças para o seu rebanho mantendo a hegemonia do poder da igreja principalmente nas soluções sobre a alimentação, já que, para os desabonados os laticínios como o iogurte, alguns grãos e a carne de animais de pequeno porte constituía a base da alimentação e as criações de animais de grande porte eram direcionadas em boa parte para as cortes dos grandes castelos europeus.
Seguindo os conhecimentos herdados da Antiguidade o Iogurte mesmo que de forma tímida ganha espaço na manipulação alimentar das mesas como também evolui como terapia medicinal incorporando-se e evoluindo como a própria civilização.
O desenvolvimento europeu nos séculos que seguiram as Grandes Navegações difunde o prazer gastronômico e começam a traçar novos comportamentos no preparo de iguarias cada vez mais sofisticadas.
Os molhos de iogurtes combinados às especiarias que vem da Índia e do Oriente, as sobremesas quentes e geladas resgatam do antigo Império Romano a combinação de açúcar, frutas e mel em suas composições cuja base é o iogurte, sem contar a divulgação cada vez maior das crenças do seu poder curativo, que ao longo dos tempos tem se consolidado e estudado fazem com que este produto caseiro se torne mais divulgado e apreciado no continente.


Setor 6: O ENVASAMENTO PARA CONSERVAÇÃO E TRANSPORTE.

A manipulação e a industrialização será a tônica deste segmento. Serão mostradas as fases da evolução das embalagens e também das fábricas de Iogurte criadas na década de 20 na Espanha, na França, onde daremos uma atenção especial, sua migração para as Américas, na década de 30, principalmente nos Estados Unidos e por fim o alimento conhecido no mundo inteiro.
O Iogurte mesmo que bastante difundido e apreciado era um produto produzido artesanalmente, de forma domestica para o consumo das próprias famílias até o surgimento da primeira fabrica de iogurte que se deu na Espanha na década de 20 no século XX. Estes iogurtes inicialmente eram embalados em garrafinhas de vidro e com o passar do tempo foi substituído por recipientes de cerâmica, que agregava valor ao produto envasado.
A chegada na América do Norte se dá no período da Segunda Guerra Mundial e continua com a mesma filosofia que criou a primeira fabrica: Uma empresa familiar cuidando de famílias.
Não poderia deixar de ser uma família mineira na década de 70, cujo Estado é tradicionalmente produtor de laticínios, a primeira a buscar na Europa a forma de fabricar e embalar o tradicional iogurte cremoso acrescido de polpa de morangos no Brasil. Esta família também importa o pensamento original da empresa, assim promovendo saúde e bem estar com dedicação de uma família para a família brasileira. Logo o produto caiu no gosto popular pelo seu aroma, textura, paladar, embalagem prática e atrativa principalmente para o consumidor infantil. Exponencialmente consolidou-se nos lares e mercados brasileiros dando assim o começo de uma história de sucesso no universo alimentício nacional.


Setor 7: O ALIMENTO FUNCIONAL.

Dividido em Cosmética e Alimentícia este setor irá descortinar a vasta gama de produtos voltados ao Bem Estar e potencializadores de Saúde.
Alimentos baseados em Iogurte com propriedades especificas, são criados para a maior performance e manutenção do corpo. Uma troca de cepa (bactéria) muda as propriedades destes produtos lácteos. A criação destes só faz consolidar as propriedades já conhecidas há milênios e hoje com a ajuda de novas tecnologias aliadas a talentosos pesquisadores fornecem ao mercado produtos mais eficientes na promoção de saúde ajudando o homem moderno a se cuidar mais. Podemos afirmar que o sentimento de proteção e cuidado nos remete mesmo que de forma muito sutil aos cuidados da época da amamentação quando recebíamos carinho, proteção física e biológica quando do ato de mamar. Essa é a missão de muitos abnegados que ao longo dos anos dedicam suas vidas para um bem maior, levar de forma inteligente e criativa as funcionalidades destes laticínios para os lares promovendo equilíbrio físico em um mundo que exige de forma extrema a capacidade humana. Muito ainda se pode criar nesse nicho para alcançar a excelência do melhor viver e este novo horizonte se descortina trazendo esperança e confiança nessa forma de nutrição. As aplicações destes compostos láticos transcendem a alimentação e também é aplicado na indústria cosmética com produtos diferenciados para a pele, cabelos e hidratação facial e o que mais vier.
O mais importante e não nos esquecermos é que mesmo para o simples deleite do paladar agrega valor nutricional a nossa vida corrida tornando-a mais prazerosa e saudável.



Roberto Szaniecki
Carnavalesco



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sinopse Portela

GRES PORTELA
Carnaval 2012

Presidente: Nilo Mendes Figueiredo
Coordenadores de Carnaval: Alex Fab e Junior Escafura
Carnavalesco: Paulo Menezes
Diretor de Harmonia: Marcelo Jacob
Assessoria de Imprensa: Enildo do Rosário(Viola)


“...E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual...”

Pequena Prece ao Senhor do Bonfim.
Salve, meu Pai Oxalá, Meu Senhor do Bonfim!
Senhor do branco, pai da luz.
Força divina do amor...
Epa Babá!

Meu pai, “... sou filha de Angola, de Ketu e Nagô
Não sou de brincadeira
Canto pelos sete cantos
Não temo quebrantos
Porque eu sou guerreira
Dentro do samba eu nasci,
Me criei, me converti
E ninguém vai tombar a minha bandeira.”
E venho a ti pedir sua benção e proteção, e pedir, também, licença aos meus padroeiros, para conduzir a minha águia altaneira, o meu altar do samba, até a sua presença.
Sabe, meu senhor, sempre fomos muito festeiros, muito devotos, e gostaria muito que o meu povo conhecesse o seu povo e a sua maneira de festejar, de reverenciar a sua crença, a sua fé.
Por muitas vezes cantei a Bahia, agora chegou a hora de mostrá-la.

“... essa Bahia gostosa
Cheia de encanto e feitiço
Que deixa a gente dengosa
E a gente nem dá por isso”

Bahia que tem o dom de encantar.
Terra em que o branco e o negro, o sagrado e o profano, o afro e o barroco se misturam e se tornam uma coisa só. No mar da Bahia, tudo e todos se misturam.
Bahia de vários corações...  sagrados corações.
Terra de cores, cheiros e temperos.
Terra de festas e de fé, de santos e orixás.
Terra de samba.
Terra de amor e devoção.
A Bahia é festa o ano todo e o povo vai pra rua manifestar a sua fé.

“... E esse canto bonito que vem da alvorada.”

Alvoradas, missas, procissões, afinal “quem tem fé vai a pé”.
Novenas, flores, fitas, águas e perfumes.
Cortejos, fiéis e cânticos.
Velas, orações e adoração.
Gente que dança!
Tambores e atabaques, samba de roda, batucadas.
Comidas, pois festa sem comida não é na Bahia.
Gente que canta!
Canta pro santo, canta pro orixá. Canta para os dois ao mesmo tempo. É o sincretismo se fazendo presente.
Louva a alegria, a liberdade, a esperança.
Gente que pula!
Pula como pipoca, como cordeiro, em blocos e trios. Transforma as ruas em um mar branco, de paz.
Mar branco, mar vermelho, mar azul. Bahia é feita de mar, é feita de água.
Gente que louva!
Beatos, filhos-de-santo, padres, mães-de-santo, fiéis e iaôs, todos juntos num mesmo ideal. Deuses e mortais, passado e presente.
Altares e terreiros, tudo é mistério. As divindades tão próximas e tão íntimas. O milagre da cumplicidade com o sagrado.
A luz dos orixás refletida nos olhares.

“... Tem um mistério que bate no coração
Força de uma canção que tem o dom de encantar.”

É dia de festa na Bahia. Não importa como começou. Não importa se um dia tudo vai terminar, pois o riso e o gesto já estão gravados na eternidade, no céu e no mar.
Bem aventurados todos aqueles que puderem ver a Bahia em festa.

E neste momento, meu Senhor, vejo que tudo aquilo que move o baiano: a fé, a alegria, a esperança, a crença e a devoção, move também o meu povo, o portelense.
Um povo que nunca desiste, vive a sorrir e a festejar.
E que essa Bahia que é de Todos os Santos, seja a partir de então dos santos da Portela também, que eles passem a fazer parte do seu panteão, estendendo sobre eles o seu divino manto e nos conduza a um desfile triunfal sobre o altar do carnaval.
Bem aventurados aqueles que puderem ver a Portela em festa.
Afinal,

Sou Clara,
Sou Portela,
Sou Guerreiros,
Sou Amor!

Salve o manto azul e branco.
Amém!

.
Paulo Menezes
Enredo: Paulo Menezes e Marquinhos de Oswaldo Cruz

Confira a sinopse da Unidos da Tijuca

G.R.E.S. UNIDOS DA TIJUCA – 2012

O DIA EM QUE TODA A REALEZA DESEMBARCOU NA AVENIDA PARA COROAR - O REI LUIZ DO SERTÃO

“Quero ser lembrado como o sanfoneiro que amou e cantou muito seu povo, o sertão;
que cantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes,
os valentes, os covardes, o amor.”
Luiz Gonzaga

Toca a sanfona porque a festa vai começar!
Abre e fecha esse fole que a comitiva vai chegar
A Avenida é a estrada que leva sertão adentro
E ninguém que aqui está esquecerá esse momento.

De lembrar que, em noite de estrela, nasceu um rei no sertão
Que virou majestade de tanto ensinar o baião
Andando e cantando a história de seu povo
Cem anos depois, ele vai ser coroado de novo.

Convidamos reis e rainhas pra mostrar que desde menino
Luiz Gonzaga, o Lua, já tinha de astro o destino
Mostrava o sorriso e a alegria, cantava e dava lição
Mas lá no fundo guardava saudade no coração.

Senhoras e senhores, o roteiro dessa viagem
Leva a terras distantes, onde um povo de coragem
Desafia a seca e a poeira, do barro ganha a vida
Esculpe a terra, tece a renda, de sol a sol nessa lida

No mercado, montam a banca e é bonito de se ver
E de tudo que há no mundo, nele tem para vender
Cores, cheiros, sabores da cultura nordestina
Lá se compra toda a sorte dessa vida Severina.

Segue o comboio real, vai cruzando o caminho
No lombo do burro, chega às terras de Vitalino
O mestre da escultura, que todo mundo copia
Bonecos que contam a vida, as coisas do dia a dia.

Mas pra conhecer o sertão, é preciso ter coragem
Atravessar a caatinga, seguir em frente a viagem
Pedir benção, rezar com fé, ser beato, ser romeiro
E reunir com toda a tropa, lá na Missa do Vaqueiro.

Senhores, rainhas e reis, o Rei do Baião anuncia
Que, depois de tanta reza, vai crescer a valentia
É pegar a beira do rio, é ser Lampião e Corisco
Pra conhecer a beleza do Vale do São Francisco.

Andar pela margem pra ver a vida que brota dos rios
O Velho Chico crescendo, com água que vem dos baixios
A cana, os frutos, o gado, o canto do passarinho
Cantar a saudade do rei, desse tempo de menino,

Toca a boiada, vaqueiro! Segue em guarda o cangaço
Que cada afluente que corre do Velho Chico é um braço
Desce pro sul até ver carrancas que trazem a sorte
A cara feia que espanta não deixa ter medo da morte.

“Simbora” que vem a noite, é hora de ver balão
Que as festas já começaram, tem “arraiá”, tem quentão
São José foi no plantio, na colheita é São João
A quadrilha já tá pronta, vai ter forró e baião.

E a sanfona anima o povo, todos vão se apresentar
Pra comitiva real, ao som do fole brincar
Bumba meu boi, maracatu, frevo, pagode e reisado
E tudo que precisar pra gente ficar animado.

Foi cantando pelo sertão que Gonzaga virou rei
De tanto cantarem junto, sua canção hoje é lei
Da poesia na praça, da valentia e coragem
Sua lição ganha as rádios, difunde sua mensagem.

Nas estações onde passa, vai contando sua vida
Espalha alegria e raça, hoje ganha a Avenida
E a Tijuca agora brinca e pra todo o mundo diz
Que a estrela de Gonzaga no céu descansa feliz.

Paulo Barros (carnavalesco)
Isabel Azevedo
Simone Martins
Ana Paula Trindade

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sinopse São Clemente 2012: Uma aventura musical na Avenida

Divulgação

A São Clemente tem uma espécie de dever: dever de sonhar, e sonhar sempre!
E assim nossa Escola se constrói em ouros e sedas,
Inventa palcos, cenários, para viver o seu sonho:
Lutar quando é fácil ceder, vencer o inimigo invencível, negar quando a regra é vender; voar num limite improvável, tocar o inacessível chão!
(Do musical Homem de La Mancha, e da Poesia de Fernando Pessoa)


GRES SÃO CLEMENTE – CARNAVAL 2012
ENREDO: UMA AVENTURA MUSICAL NA SAPUCAÍ

         Na escuridão do terceiro-sinal, foco de luz no mestre-maestro, delirantemente aplaudido pela gente que vai assistir a aventura musical. Silêncio.

         Prólogo: Seguindo o apito e a batuta, a orquestra no recuo do fosso ataca, e há música encantadora no ar; é quando a cortina amartelo-negra abre-se lentamente! “Gatos” (Cats) esgueiram-se na arqiubancada/plateia, e vão evocando as “Memórias”, refazendo a História: “Senhoras e senhores, bem0vindos ao dedfile do ‘Teatro Musical Brasileiro’! E por quê apaixona-se a São Clemente pelo início do teatro musicado no Brasil? Porque, como ela, as operetas curtas daquele tempo eram satyíricas, críticas e irreverentes. E aproximavam o povão da mais fina arte! Influência francesa que geros nos trópicos, um ‘u-lá-lá’ pra lá da malandragem. Mais ou menos 1850. bom humor era tudo, rapidez rimava com qualidade, e, para quem entende, um pingo é letra: a parisiense nasceu na Lapa, e ia da canção, do xote à valsa, da marzurca ao tango. Só no truque da ingênua maliciosa, e o diabo que a cerregue lá pra casa!”.

         Luz em resistência. Um astro vai descendo a alegórica escadaria de luzinhas piscantes, acompanhado daquilo que secretamente nos bastidores chamamos da sua “Comissão de Frente”: lindíssimas vedetes, em maiôs cavados com franjas de diamantes falsos e transparência sobre os seios, escoltadas por bailarinos, luxuosamente vestidos em fraques. A vida é um “Cabaret”. Ouve-se a voz so Mestre de Cerimônia: “Ora, se os desfiles de Escolas de Samba são os maiores dos musicais de que se tem notícia, nada melhor que esta grande aventura musical clementiana falar em ritmo de samba, de como viveu e vive esse grande e longevo negócio, que reúne na ribalta empresários, artistas, técnicos: a tal gente do show business – Nós! Avante legítimas representantes carnavalizadas desta verve, as Comissões de Frente, espetáculo à parte na Avenida, quando sobem pernas, arrancam roupas, despertam o aplauso e o inesperado acontece: é a Broadway tupiniquem! A abertura é mágica!”.
         O palco/passarela abre-se, e sobe o espetacular elevador com a sua montanha verdejante onde “A Noviça Rebelde” rodopia, cantando para as suas crianças que a “Mùsica, é Divina Música”: “Precisa de dinheiro para botar o bloco na rua, levantar cenários, contratar estrelas, fazer figurinos, vender bilhetes e acender a rica luz: aí o prazer do público é total, quando a beça Estrela seminua com cara de safadinha, faz biquinho e começa solfejando os acordes”.

         Desce da escuridão do urdimento a magistral teia com a “Mulher Aranha”, arrebatadora Rainha e Madrinha da Companhia. Das laterais, no chão surgem as mulatas com o estonteante figurino “Sopro de Purpurina”. O primeiro setor de assentos, em suspense, puxa o fôlego, sem acreditar na tamanha opulência flutuante sobre si. Confetes prateados caem salpicados. A aracnídea está em êxtase, pendurada quase solta no espaço, e declama coquete: “Leques de plumas abanam em glória a primeira das grandes: Chiquinha Gonzaga! E o Brasil era cantado em prova, verso e música em 1885, com um pé no caipira e outro na cidade grande. Festa de São João, conversa de botequim, prosa de malandro, vida de bairro, amor feliz. Artur Azevedo apareceu logo depois, saindo através de uma cortina de gotas de vidro: adorava meter o pau (ui!) no político-social, sem jamais esquecer “pernas à mostra e seios nus...”. Igualzinho ao carnaval! Olhar bem humorado, uam forma de ver a vida: temas alegres, língua apimentada e um bububú no bobobó. Duplo sentido, para um povo cujo sexto sentido avisava que de perto ninguém é normal”.

          Uma parede de elásticos brilhosos é atravessada por ritmistas, quando ouve-se a sirene: - Teatro?, pergunta a “Bela”. – Musical?, devolve a “Fera”. – Sapucaí!, Exclamam os dois juntos. Entre românticos balanços de flores, o casal avança na narrativa: “A cena, a dança, a cantoria. Sopravam ventos de influência da Liberdade, América, numa revolução cenográfica e coreográfica. Tiraram a orquestra, botaram a banda, e o público exigia que arrancassem as meias daquelas pernas que eles queriam ver em pele. E veio a fantasia musicada na Praça Tiradentes: era hora das estrelas de primeira grandeza dando ataque e atraindo multidões, divas da pá virada em decotes abissais e rabo de penas raras. Fila na porta, empurra-empurra e o ingresso a tapa: todos pagavam para ver a belíssima e talentosa Loura falsa”.
         Do Balcão da Casa Rosada, envolta na fumaça de gelo-seco e construído do papelão e compensado, “Evita” abre os braços. E, em vez de cantar “Não Chores por Mim Argentina”, inesperadamente faz seu tributo de amor ao musical brasileiro, porque o espetáculo não pode parar (a não ser na frente do júri), e continua dobrando a esquina: “Foi aí que o jogo avançou: girou a roleta do Cassino, porque o Brasil Pandeiro esquentava seus tamborins e fazia os dados rolarem: todo o país queria Rosetá e em 1945 Walter Pinto mandava: “Canta Brasil”. E não é que o país resolveu investir? A maquinaria espetaculosa em efeitos de cena se tornou tão importante quando as Estrelas. Abre e fecha, sobe e desce, acende e apaga, ou dá ou desce! Deus é brasileiro, e do limão estrangeiro fez-se uma limonada à tropicália, e o Brasil conhecia o Brasil. Deu tão certo que o mito grego de Orfeu, quem diria, foi parar na favela brasileira; e a querida senhora Pigmaleão armou sua barraca de feira por aqui. Com Carlos Machado o musical brasileiro alcança sucesso internacional”.
          Uma gaiola espelhada é trazida pelo ciclone do “Mágico de Oz” e dentro está a menina Dorothy. Guardas com cassetetes de strass batem no pobre Homem de lata. “os Miseráveis” surgem pelas laterais, tentamdo socorrer. Parte triste da História, tentam calar os Musicais Brasileiros: “ A língua do Zé-Povinho estava afiada e fazia anedotas com a vida dos poderosos. Tudo devidamente amordaçado pela censura, que fez a cortina fechar pelos idos dos 60. Proibido proibir deu nó em pingo d’água e fez a tigresa (Sonia Braga) estrelar e deixar todo mundo de cabelo (Hair) em pé, tal a força deste libelo, que duas vezes o Brasil aclamou seduzido por tanta qualidade ideológica e musical. Acordes para os hippies. Faça humor, não faça a guerra, nós temos um sonho: deixe o sol entrar! Foi uma Roda-Viva para os brasileiros, cuja profissão sempre foi a esperança. Como Calabar resistiram, a Gota d’água no oceano da incompreensão”.

Deitada numa lua de paetês surge “Vitor ou Vitória”. A indecifrável fala sobre gays, machões e lembranças musicadas: “Nisso jogaram gliter. Anunciada a era e Aquarius, houve o rompimento, a mudança, a fuga dos padrões e a busca do novo. Deboche de músculos másculos, pernas cabeludas, cílios postiços e saltos altos. Foi com os Dzi croquetes que devolvemos à Europa o que dela tínhamos recebido um século antes: o vigor do teatro musicado, desta feita, andrógino. Mas isso era só um lado da moeda. Faltava um pedaço, aquela marca de pegador do brasileiro, do machão que não é Mané. E a sacada da Ópera do Malandro foi fazer do Brasil um bordel, quando o homem brasileiro assumiu de vez sua vocação para o cantar, dançar e interpretar. No rodopio dos 80 e 90, do conteúdo político partimos para revisitar os mitos de nossa música popular. Ganhou o samba, que viu de novo Assis Valente, as Irmãs Batista e Elizeth Cardoso, revividas e exaltadas em grandes montagens; a música popular brasileira virou fio condutor de uma torrente de paixões”.

Todo o elenco internacional de imorredouros personagens, para sempre em nossos corações, estão em cena. Entraram Arlequins, Pierrots e Colombinas para receberem calorosos a carroça brasileira dos Saltimbancos, que fez cantar gerações seguidas de crianças, e “Sassaricando, e o Rio inventou a Marchinha...”. O flash, a emoção do sassarico, porque sem sassaricar, esta vida é o “ó”! Maria Escandalosa junto com a Galinha e o Jumento, brasileiríssimos, cantam “Yes, Nós temos Bananas”. Pós modernos, falam da virada do terceiro milênio.: O Brasil e o mundo, a aldeia global fazendo prosperar abaixo da linha do Equador o que antes era reserva de Nova York, Las Vegas, Paris e Londres: o trânsito de diretores, produtores, autores, a festa das plateias brasileiras. O mistério extraordinário do musical: Raia equilibrava-se na pequena Loja dos Horrores; esfregávamos os olhos para saber se era verdade que a mesma Bibi que cantava o pequeno pardal Piaf, também se rasgava nas estranhas ao cantar os fados de Amália; Marília podia ser Dalva de Oliveira ou Elis, ou todas Elas por Ela; e agora José Mayer é o definitivo Violinista no Telhado.

Grande dança final, com toda a companhia executando impecavelmente a marcação coreográfica e o canto afinado do Samba-Enredo. Ciclorama da vida, mágica do Teatro, entretenimento profissional apaixonado. A fagulha que restará eterna. Milhares de microlãmpadas formam palmeiras artificiais, orgulhosas de serem simulacros. Micos leão dourados de acetato caem penduradas. “Deus lhe pague”: “Dizer que conseguimos copiar de maneira impecável as montagens estrangeiras é pouco: damos um passo à frente, vamos além da virtuose técnica, adicionamos à perfeição deles o chica-chica-boom da gente bronzeada que faz pulsar o já montado, de maneira diferenciada. Há um quê de povo renovador em nós”.

Epílogo: surge o Fantasma da Ópera voando a bordo de seu colossal lustre de cristal. Por trás da mascar misteriosa, há uma lágrima verde-amarela, de amor a esta gente incansável que monta Musicais. São os sonhadores: “Musicais são janelas para o imaginário de um povo, cuja qualidade é viver no País das Maravilhas. Que a Ópera de Paris seja a Marquês de Sapucaí e que o fantasma vague em nossas memórias, reafirmando o direito ao sonho. Mascaradas, faces de papel em desfile, é chegada a hora. Avante brincantes do mundo do carnaval musical, pois não há, no mundo dos humanos, gente parecida contigo. Vai ter fim a infinita aflição, e o mundo vai ver uma flor brotar, do impossível chão!”.

Feliz é a São Clemente, que da grandeza deste gênero faz o seu carnaval. Feliz meu samba, que sai pela vida em alegria incontida, nessa maravilha aventura musical.

Revoada de graças translúcidas parte em direção ao por do sol, no infinito. O perfil de Carmem Miranda vai beijando Renato Russo, até desaparecer no Black-out.

Cai o Pano.

Fábio Ricardo
São Clemente 2012

Pesquisa: Tânia Brandão e Marcos Roza

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Veja a Sinopse da Alegria Da Zona Sul para 2012

Conheça a sinopse do enredo da Alegria da Zona Sul para o próximo carnaval  
“OS SALTIMBANCOS”

Em uma fazenda bucólica de uma cidadezinha calma do interior, vivia um jumento, pobre jumento, só vivia para o trabalho. No seu lombo carregava a horta, compras do armazém, água para o poço e tudo mais que tinha e o que seu patrão queria que ele carregasse. Era um jumento de carga, maltratado pelo dono, um fazendeiro inescrupuloso e brigão. Um belo dia, o jumento resolve fugir para realizar o sonho de ser músico, artista reconhecido, famoso sim e por que não?

O jumento pega sua maleta, sua trouxinha de roupas e ganha a estrada. No caminho encontra um cachorro, que também fugia de outra fazenda, dos maus tratos do seu dono. Mais adiante encontram uma gata, que queria ser livre, pois já que havia nascido pobre, não abria mão de ser livre, leve e solta! Andando um pouco mais encontram uma galinha que também havia fugido do galinheiro para não virar almoço de domingo. Dessa forma, os quatro animais formam um grupo de amigos inseparáveis : o paciente e tolerante jumento, o cachorro amigo e leal, a gata malandra e esperta e a galinha teimosa e inquieta.

Eles fugiram dos seus donos fazendeiros pelo mesmo objetivo, o de conquistarem a liberdade, e de não ficarem mais explorados no trabalho diário da fazenda. Eles fugiram em busca do sonho de serem músicos famosos e terem os seus direitos de expressão naturalmente, como devem ser com todos os seres vivos.

“Alô, liberdade levante, lava o rosto, fica em pé. Como é, liberdade ...vou ter que requentar o teu café. Bom dia, alegria. A minha companhia vai cantar, em doce harmonia - Pra te alegrar”

Assim os quatro bichinhos amigos caem na estrada deixando pra trás os seus donos, e os maus tratos, levando com eles, a esperança de dias melhores e a busca da felicidade. Os amigos artistas saem em caminhada pela estrada e vão seguindo o destino incerto e juntos seguem a sua trajetória em busca do sonho e do sucesso.

No caminho, depois de muito andarem chegam a uma casa colorida, espécie de hotel fazenda, que tem o nome de “Pousada do Bom Barão”, o lugar ideal para eles pararem e descansarem um pouquinho.
Logo que chegam à frente da tal pousada, observam que há uma placa na porta e, nela está escrito, “proibido a entrada de animais”.
Os amigos, muito cansados, resolvem abrir a porta desobedecendo a placa. Nesse momento, eles se surpreendem, pois dentro da casa estavam os seus ex-donos. Os maldosos os avistam e saem correndo para mata, porém o medo e covardia dura pouco, eles se juntam e descobrem que juntos os verdadeiros amigos são fortes e põe os seus donos fazendeiros para correr...

“Uma gata, o que é que tem? - As unhas. E a galinha, o que é que tem? - O bico. Dito assim, parece até ridículo, um bichinho se assanhar...
E o jumento, o que é que tem? - As patas. E o cachorro, o que é que tem? - Os dentes. Ponha tudo junto e de repente vamos ver o que é que dá. Junte um bico com dez unhas, quatro patas, trinta dentes, e o valente dos valentes, ainda vai te respeitar.”

Os bichos amigos provam que a união faz a força e se você tem uma qualidade, por mais frágil que ela seja, quando se junta com outra e mais outra e outra mais, se torna forte tão forte que enfrenta tudo de ruim e de dificuldade que possa aparecer.

“Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco. Todos nós no mesmo barco, Não há nada pra temer - Ao meu lado há um amigo, que é preciso proteger. Todos juntos somos fortes, não há nada pra temer!”

“O animal é tão bacana, mas também não é nenhum banana”

Assim eles expulsam e botam pra correr os seus ex-donos...
Saindo da “Pousada do Bom Barão”, os amigos continuam o caminho para o sucesso, passa dia e passa noite, campos de flores, campos de girássois, estradas com setas que indicam : “sigam em frente”, “vire a direita”, “dobre a esquerda”, “não volte para trás”!
Sol e lua, dia e noite, até que enfim finalmente chegam a uma cidade, seria ali a cidade do sucesso? Seria a Hollywood tão sonhada? E os bichos começam a sonhar com uma cidade ideal imaginária:

“Cachorro: A cidade ideal de um cachorro, tem um poste por metro quadrado, não tem carro, não corro, não morro e também nunca fico apertado.
Galinha: A cidade ideal da galinha, tem as ruas cheias de minhocas. A barriga fica tão quentinha, que transforma o milho em pipocas.
Gata: A cidade ideal de uma gata, é um prato de tripa fresquinha.Tem sardinha num bonde de lata, tem alcatra no final da linha.
Jumento: Jumento é velho e velho é sabido e por isso já está prevenido. A cidade é uma estranha senhora, que hoje sorri e amanhã te devora!!”

E o velho e sábio jumento, estava certo... na cidade só haviam prédios, carros, pessoas correndo, camelôs desajustados, engraxates desparafuzados, luzes neon que apagam e ascendem em todo momento. Ruídos, sons, barulhos e fumaças, sinos que tocam de aparelhos que os bichos nuncam pensaram que existissem : celulares, Iphones, Ipodes, matemática, informática, cidade caótica, cidade neurótica, cidade dramática. Violência era mais parecida com a cara dos fazendeiros patrões, ela era feia, sem dente, sem dó e que corria atrás dos bichinhos por ruas e viadutos como um pesadelo sem fim. Coisa igual nunca tinham visto! Eles descobrem que não seria ali, o lugar dos seus sonhos, não seria na cidade grande que os bichos amigos conheceriam o sucesso! Nessa fabulosa Xanadu o brilho é de mentira, como paetês que imitam diamantes nas fantasias de carnaval.
“Ói nós aqui, ói nós aqui. Hollywood fica ali bem perto, só não vê quem tem um olho aberto! Camelôs, malucos e engraxates. Aproveitem enquanto o sonho é grátis! Quem há de negar, que é bom dançar, que a vida é bela neste fabuloso Xanadu...Eu só tenho medo, de amanhã cair da tela, e acordar em Nova Iguaçu!”
Os bichos mais uma vez unidos, saem da cidade e voltam para estrada, caminham por mais uns dias, até que finalmente encontram um paradeiro. É uma lona  colorida de circo ou é um circo colorido no meio da estrada? Tá certo, é meio mambembe, é meio pobrinho sim. Mas é lá nesse circo, que abriga vários artistas de rua e outros animais, que os bichos finalmente encontram o seu lugar. É lá que o jumento, o cão, a gata e a galinha são reconhecidos profissionalmente e vivenciam o verdadeiro sucesso!
Assim eles ficam felizes, num lugar humilde, mas colorido, com luzes fraquinhas de pisca-pisca, mas que lembram um céu lindo de estrelas luminosas! É nesse circo, que os bichos vão viver, trabalhar e conhecerem o sucesso, sempre tendo como filosofia de vida a união, a amizade, o cooperativismo, e a tolerância que são a base para se ter uma vida feliz!
Esse enredo foi inspirado no conto dos irmãos Grimm “Os Músicos da cidade de Bremen”, que narra a história do encontro de quatro animais (um jumento, um cachorro, uma galinha e uma gata), que devido a maus tratos, fogem de seus patrões. Juntos decidem formar um grupo musical e rumam à cidade para começar a carreira artística. O conto ficou famoso no Brasil com montagem histórica teatral em 1977, no Canecão, com texto de Luiz Enriquez Bacalov e Sérgio Bardotti, as músicas foram escritas por Chico Buarque de Hollanda e direção de Pedro Cardoso. A peça teve como elenco de estréia Marieta Severo (a gata), Miúcha (a galinha), Pedro Paulo Rangel (o cachorro) e Grande Otelo (o burro).

 Essa obra originou ainda um disco, lançado em 1977, e com participações de Nara Leão, MPB-4 e Chico Buarque.Em 1981, Os Trapalhões lançaram também sua versão, Os Saltimbancos Trapalhões.Lançado em plena ditadura militar, na vigência do AI-5, ainda é de se estranhar que a censura tenha liberado essa história revolucionária, que ensina que os subjugados podem modificar a situação se conseguirem ficar unidos. Anos mais tarde, na versão para o cinema estrelada por Renato Aragão - 'Os Saltimbancos Trapalhões', Chico Buarque aproveita para abordar a situação do artista circense e do artista de rua.

Assim, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Alegria da Zona Sul traz para avenida dos desfiles no seu carnaval, um enredo lúdico, ingênuo, mas não deixando de ter um cunho sócio político, pois é uma metáfora dos operários, que escapam do sistema assalariado, no caso dos bichos e que se juntam a um circo aonde vão trabalhar unidos e ganhar o próprio dinheiro. Todos trabalham e podem ser mais felizes, sem a repressão dos seus donos ou patronos, pois é no circo que eles encontram o sucesso e a liberdade de expressão.

É um alerta, para que devemos fazer o que gostamos na vida, sem vivermos reprimidos ou escravizados a valores que não acreditamos. Vivendo o dia a dia cada bicho vai se descobrindo e reconhecendo os seus defeitos e fazendo com que os seus talentos modifiquem a sua vida. Dessa forma, juntos eles são fortes e vencem a fúria dos seus donos – “patrões”. É um exemplo de vida, de como devemos agir no nosso cotidiano. Podemos usar essa lição no carnaval e por que não? Unidos combateremos a má intenção dos equívocos que acontecem nos bastidores da cena carnavalesca. Sim, nós fortes conseguiremos.

Deixe a sua imaginação te levar e viaje com o nosso enredo para o seu mundo de pureza que ficou lá pra trás, num passado que está mais próximo do seu coração que você possa imaginar.

Solte a bicharada...Vamos nos divertir bicharada. Vamos brincar nesse carnaval!

Solte-se dos seus preconceitos de “donos patrões” e vistam-se com as fantasias dos bichos que sonham com o sucesso e pregam que só com a união e a amizade verdadeira, se vence na vida! Vamos fazer o mesmo com o nosso carnaval!!
Venha diverti-se com o nosso imaginário, sambe, sonhe, cante, mas não deixe de lutar por sua liberdade na vida.
Salve a arte pura e ingênua do artista popular brasileiro!
Autor e pesquisa do enredo Eduardo Gonçalves
Enredo para Maria Augusta Rodrigues, a mestre do lúdico, e para o eterno mestre das cores Oswaldo Jardim.
Dedico esse enredo também aos queridos saltimbancos: Ana Beatriz Genúncio, André Rodrigues, Bia Cavalcanti, Carlos Feijó, Edu Nunes, Fabio Fabato, Felipe Ferreira, Fernando Peixoto, Flavio Mello, Gustavo Melo, Lucas Vagner, Lucinha Nobre, Luis Fernando Reis, Marcos Capeluppi (BTU), Rafael Gonçalves, Roberto Vilaronga, Rogério Rodrigues, Tânia e Renato Índio do Brasil, Tatiana Ribeiro, Paulo Menezes, Paulo Renato, Vitor Saraiva, Wanyr Júnior, William Pedroso e à todos que durante esse inicio de ano de 2011, torceram e torcem pelo meu trabalho na avenida dos desfiles e que ainda acreditam que podemos sim,  fazer carnaval com pequenos fragmentos de sonhos...água mole em pedra dura...