Por Priscila Franco
Obstáculos são para serem transpostos. Encarar a avenida depois de um incêndio foi o grande desafio para a Portela, que já entrou na Avenida sob os olhares atentos de todos. Em vez de aguardar um belo espetáculo, todos queriam ver a volta por cima da azul-e-branco, que precisou se virar nos 30 para levar a escola para a Sapucaí com fantasias com apenas um mês para se reconstruir. As barreiras foram quebradas. Em vez de choro e lamentação, o clima era de emoção.
Ainda na concentração, era possível ver os grandes bambas do samba ansiosos para pisar na avenida. Segundo o sambista Monarco, as dificuldades foram superadas.
- A Portela está bonita, alegre, como se nada tivesse acontecido. É uma página virada na escola. - conta o portelense.
Nos bastidores, cresciam os rumores sobre uma possível saída do presidente Nilo Figueiredo, que foi negada com veemência pelo próprio. Sobre a reconstrução da escola, ele também considera o assunto encerrado e endossou as palavras de Monarco.
- Podem ter certeza de que a Portela vem com muita garra e determinação, pois o mais importante é a união da escola que após o incedio conseguiu refazer 2200 fantasias e recuperar algumas alegorias também afetadas. - ressaltou o presidente.
Diferentemente do que todos pensaram, a indumentária não foi o maior problema da Portela. Todos os componentes apresentavam fantasias, fossem improvisadas ou não. Méritos também para o carnavalesco Roberto Szanieski, que soube driblar as dificuldades e, apesar dos pesares, teve sabedoria para não fazer feio na avenida. Era comum ver a utilização de materiais recicláveis, como garrafas pet, em substituição a outros consumidos pelo fogo.
No entanto, parece que a escola se aproveitou do fato de não ser julgada e pecou em quesitos que em nada tinham relação com o incêndio. A harmonia pouco se preocupou em controlar os buracos formados entre os componentes. O acabamento das alegorias foi outro ponto extremamente criticado. Não havia a necessidade de ostentar tantos ferros. Se não fossem considerados esses carros alegóricos, a escola poderia até ser julgada, já que nenhuma escola sofreria rebaixamento no Grupo Especial.
A comissão de frente de Marcio Moura representava os símbolos
Como já é tradição da Portela, o abre-alas ostentava o grande símbolo da escola. Desfazendo a imagem da Águia robotizada no Carnaval anterior, neste ano optou-se pela simples e tradicional ave, com tonalidades próximas ao real. Com efeitos sonoros, este foi um dos momentos mais emocionantes do desfile.
A escola 21 vezes campeã contagiou as arquibancadas. A comunidade foi essencial para esse resultado.
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