Por Priscila Franco
A intenção era provocar um misto de medo e alegria na Avenida e, de fato, Paulo Barros e sua equipe lograram êxito nessa empreitada. Grande campeã do carnaval do ano passado, a escola ficou marcada pela ousadia e por apresentar elementos inéditos para o desfile. Para este ano, a fórmula foi a mesma: muita criatividade e comprometimento para voltar a encantar não só a arquibancada, mas também os jurados.
Com desfile iniciando em torno das 1h35min, a escola já chegou ao setor 1 ovacionada com gritos de bicampeã. Com a popularidade em alta, a Tijuca começou sua apresentação já naquele local, mostrando uma comissão de frente que impressionou a todos. À primeira vista, muitos poderiam acreditar que tratava-se do abre-alas da escola. Mas a impressão inicial foi logo desfeita. Quatorze bailarinos da comissão de frente faziam a performance utilizando o elemento cenográfico como palco para mais um show de magia, recheada de truques que deixavam todos boquiabertos. Sob os dizeres "Esta noite levarei sua alma", os dançarinos faziam uma representação com um personagem que ficava às turras com zumbis que insistiam em levá-lo ao caminho da morte.
Os moribundos, por sua vez, foram a grande atração da noite. Com um truque que os fazia perder a cabeça, os burburinhos acerca da apresentação, onde quer que passassem, eram comuns. Foi impressionante ver a perfeição com que a coreografia era apresentada, resultado dos ensaios incansáveis da equipe da comissão de frente. Novamente, a mágica foi utilizada, desta vez, separando os corpos dos zumbis em duas partes. Ao se aproximar das cabines julgadoras, uma plataforma móvel suspendia os bailarinos a uma altura de cinco metros, mantendo-os no nível dos olhos dos jurados, que não escondiam a surpresa com a performance como um todo. Com a comissão de frente passando, o público já estava preparado para o que viria atrás.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, escoltado por guardiões vestidos de fantasmas, fizeram uma apresentação impecável. As fantasias do casal foram outro ponto a favor: o brilho estava à altura deles, que manteviveram a sua regularidade em todas as cabines julgadoras. Marquinhos e Giovanna executaram uma coreografia que privilegiava a cumplicidade de ambos. Representando a imagem em movimento (por isso os guardiões utilizavam uma câmera cenográfica), eles giravam sem cair ou enrolar a bandeira.
Finalmente, o abre-alas da escola surgiu. Com 42 metros de comprimento, o carro - que naverdade eram três chassis acoplados - causou frisson na avenida, tanto pela sua parte plástica quanto pela performática. A Barca de Caronte, história mitológica na qual o personagem era responsável por transportar as almas ao mundo dos mortos, mostrava integrantes que levantavam fantasmas, causando um efeito visual de grande impacto para quem assistia àquele espetáculo. O destaque do carro representava o próprio Caronte.
As alas coreografadas foram outros pontos a serem considerados. Embora os passos fossem marcados, a espontaneidade dos componentes para evoluir em determinados momentos deixava a escola mais solta. Destaque para a ala "O último samurai", que levava adereços com dizeres orientais em ambas as mãos e causaram um bonito efeito visto por cima.
Saindo da atmosfera do medo e entrando para o lado lutador do homem, a tonalidade das alegorias foi mudando. O sombrio do abre-alas deu lugar a um universo de cores. Destaque para a ala Transformers, acompanhada por um tripé, além do segundo carro Avatar, relacionando o guerreiro que desbrava a floresta de Pandora. Mais uma vez, o elemento humano, marca de Paulo Barros, foi essencial para trazer o efeito esperado para a Sapucaí.
Extremamente cuidadoso, o carnavalesco parece ter mesmo acompanhado todo o processo produtivo. A parte plástica estava impecável, com os mínimos detalhes sendo levados em consideração. Seria impossível não falar das alegorias de Harry Potter com uma mesa giratória, do Indiana Jones correndo das pedras rolantes ou dos gorilas que se equilibravam em um cipó. Os elementos cenográficos complementavam o enredo. Um deles ousou ao mostrar um crocodilo que tentava abocanhar um pirata, o que exigia um malabarismo do destaque para manter-se equilibrado.
Outro quesito importante para a pontuação, a bateria, fantasiada de lanterninhas de cinema, também fez uma grande apresentação. Conforme Mestre Casagrande prometeu no último ensaio (27 de fevereiro), foram mostradas três bossas bastante ousadas e coerentes com o enredo levado para a Avenida. A rainha Adriane Galisteu também inovou ao utilizar uma fantasia que quase revelava a nudez da apresentadora, que representava a luz.
O grande personagem homenageado da noite foi Zé do Caixão. Destaque do último carro, o cineasta José Mojica Marins foi convidado a desfilar pessoalmente por Paulo Barros e teve cenas de seus filmes exibidos em um grande telão.
Era um espetáculo digno de cinema, perfeito aos olhos dos espectadores. No entanto, alguns imprevistos técnicos podem comprometer as notas esperadas pela escola do Borel. Quase aos 60 minutos de desfile, o abre-alas da escola demorou a sair da pista, mantendo a Tijuca parada por cerca de 11 minutos. Com isso, foi necessário correr além do esperado para não ultrapassar o tempo de desfile. Dependendo da leitura dos jurados, isso pode levar à perda de pontos no quesito evolução. No entanto, essa não é a preocupação do quase roteirista Paulo Barros.
- Gostei do que vi, o desfile foi muito satisfatório. A escola é guerreira, a Tijuca prova que tem um corpo muito legal. O primeiro passo alcançamos: trazer alegria e descontração para este público. O julgamento é consequência. Os jurados foram feitos para julgar, nós temos que acatar. Fizemos a nossa parte. - frisa o carnavalesco.
Encerrando o espetáculo, ou melhor, o desfile, Paulo Barros foi o último componente a entrar. Aplaudido por todos, ele deixou a Avenida com exatos 80 minutos, torcendo para que sejam consagrados com o título do Carnaval na quarta de cinzas.
Na dispersão, o presidente da Tijuca, Fernando Horta, estava extasiado. Para ele, a azul-e-amarelo do Borel evoluiu bem pela avenida.
- Foi ótimo. A demora para o carro sair não chegou a atrapalhar o desfile, não. No conjunto, a escola passou bem, estava alegre, cantou... Isso é o importante. - finalizou.
Extremamente cuidadoso, o carnavalesco parece ter mesmo acompanhado todo o processo produtivo. A parte plástica estava impecável, com os mínimos detalhes sendo levados em consideração. Seria impossível não falar das alegorias de Harry Potter com uma mesa giratória, do Indiana Jones correndo das pedras rolantes ou dos gorilas que se equilibravam em um cipó. Os elementos cenográficos complementavam o enredo. Um deles ousou ao mostrar um crocodilo que tentava abocanhar um pirata, o que exigia um malabarismo do destaque para manter-se equilibrado.
Outro quesito importante para a pontuação, a bateria, fantasiada de lanterninhas de cinema, também fez uma grande apresentação. Conforme Mestre Casagrande prometeu no último ensaio (27 de fevereiro), foram mostradas três bossas bastante ousadas e coerentes com o enredo levado para a Avenida. A rainha Adriane Galisteu também inovou ao utilizar uma fantasia que quase revelava a nudez da apresentadora, que representava a luz.
O grande personagem homenageado da noite foi Zé do Caixão. Destaque do último carro, o cineasta José Mojica Marins foi convidado a desfilar pessoalmente por Paulo Barros e teve cenas de seus filmes exibidos em um grande telão.
Era um espetáculo digno de cinema, perfeito aos olhos dos espectadores. No entanto, alguns imprevistos técnicos podem comprometer as notas esperadas pela escola do Borel. Quase aos 60 minutos de desfile, o abre-alas da escola demorou a sair da pista, mantendo a Tijuca parada por cerca de 11 minutos. Com isso, foi necessário correr além do esperado para não ultrapassar o tempo de desfile. Dependendo da leitura dos jurados, isso pode levar à perda de pontos no quesito evolução. No entanto, essa não é a preocupação do quase roteirista Paulo Barros.
- Gostei do que vi, o desfile foi muito satisfatório. A escola é guerreira, a Tijuca prova que tem um corpo muito legal. O primeiro passo alcançamos: trazer alegria e descontração para este público. O julgamento é consequência. Os jurados foram feitos para julgar, nós temos que acatar. Fizemos a nossa parte. - frisa o carnavalesco.
Encerrando o espetáculo, ou melhor, o desfile, Paulo Barros foi o último componente a entrar. Aplaudido por todos, ele deixou a Avenida com exatos 80 minutos, torcendo para que sejam consagrados com o título do Carnaval na quarta de cinzas.
Na dispersão, o presidente da Tijuca, Fernando Horta, estava extasiado. Para ele, a azul-e-amarelo do Borel evoluiu bem pela avenida.
- Foi ótimo. A demora para o carro sair não chegou a atrapalhar o desfile, não. No conjunto, a escola passou bem, estava alegre, cantou... Isso é o importante. - finalizou.
Bela análise, Priscila Franco!
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