Por Artur Bernardes
O desfile prometia. Com um belíssimo enredo, dois carnavalescos brilhantes, uma comunidade guerreira, imensas alegorias, muitas delas coreografadas, uma bateria furiosa e afinada, o Salgueiro tinha tudo para brigar pelo título com as principais candidatas. Mas um atraso no setor 1 com uma alegoria que teve dificuldades de entrar na avenida fez com que o Salgueiro estourasse o seu tempo de desfile em oito minutos. O que era uma realidade para os salgueirenses com o belíssimo desfile até o momento realizado virou um filme de terror que pode não ter o final feliz esperado pelos integrantes da escola.
A escola começou o seu desfile de maneira arrebatadora, e o seu cartão de visitas foi o imenso e bonito carro abre-alas, que representava uma sessão de cinema nas antigas salas de exibição da Cinelândia.
Logo após veio a comissão de frente da escola, que representava a época das chanchadas onde baleiros sonhavam em se tornar famosos artistas de cinema. Usando um tripé para auxiliar na coreografia, a comissão de frente de Hélio Benjamim deu um show de coreografia, um belissimo figurino, apresentando-se muito bem em todas as cabines julgadoras, sendo aplaudidos de pé pelos jurados.
O primeiro casal de mestre sala e porta bandeira da escola, Sidcley e Gleice Simpatia, representavam as estrelas da companhia, exibindo o simbolo maior salgueirense o seu pavilhão. Com uma apresentação leve, belíssima e uma coreografia bem desenvolvida, realizaram uma bela performance em todas as cabines julgadoras. A única ressalva foi no último módulo, no qual a bandeira de Gleice parecia estar mais pesada e querendo enrolar, mas não ocorreu.
Os carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage acertaram em cheio nas alegorias, muito bem desenvolvidas, bem acabadas e que retratavam muito bem o que o enredo pedia. A diferença era em relação à largura: ocupavam quase a extensão da Sapucaí.
Os integrantes da escola deram um show, tendo o samba na ponta da língua - um samba leve, irreverente que caiu no gosto dos salgueirenses, fato que ajudou muito o trabalho da harmonia.
Um dos departamentos mais aguardados por todos no desfile do Salgueiro era a sua Furiosa Bateria, comandada pelo competente mestre Marcão e com o auxilio de mestre Paulinho. Os ritmistas da escola vieram representando o BOPE, a tropa de elite da Policia Militar do Rio de Janeiro, filme de grande sucesso. Marcão ressaltou o que esperava de sua bateria no desfile.
- Vamos realizar aqui no desfile tudo o que ensaiamos na quadra e nos ensaios técnicos. Não vai ter nenhuma surpresa. Vamos continuar com o que está dando certo. - finalizou mestre Marcão.
Ao seu lado, na bateria, estava Mestre Paulinho, um grande vitorioso do carnaval do Rio de Janeiro com a Beija-flor de Nilópolis. Paulinho ressaltou a sua função ao lado do mestre Marcão.
- Fui convidado e logo aceitei. Vim para acrescentar na bateria ao lado dele. Porém, é claro que sempre que o Marcão precisar e pedir posso dar uma ajuda a ele. - endossa o premiado mestre.
Perguntado se no carnaval de 2012 ele estaria a frente de uma bateria comandando ele explicou:
- Estou aberto a propostas e quero muito voltar em 2012. Eu analiso não só a parte financeira, mas também as condições de trabalho oferecidas. - frisou Paulinho.
O que tinha tudo para fechar com chave de ouro, terminou em um belo balde de água frior para os salgueirenses. No final do seu desfile, o último carro da escola não estava conseguindo entrar na avenida, fato que ocasionou um buraco no setor 1 e, o pior de tudo, atrasou a escola, que mesmo correndo no final não conseguiu terminar o seu desfile no tempo determinado, estourando em 8 minutos.
Na dispersão, o que se via era um clima de final dramático,com os integrantes incrédulos com o que estava acontecendo, chorando copiosamente e desesperados pela situação.Para piorar, um princípio de incêndio no carro do King Kong ocasionou um tumulto e um grande corre-corre no final do desfile.
Agora é aguardar o resultado final da apuração e torcer para que o filme tenha um final feliz .
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